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A Gestalt entendida como um protoconceito transdisciplinar na passagem do século XIX ao século XX: uma abordagem epistemológica e histórica (2017)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: CARNEIRO, JOÃO ALEX COSTA - FFLCH
  • USP Schools: FFLCH
  • Subjects: PSICOLOGIA DA GESTALT; FILOSOFIA; CIÊNCIA; EPISTEMOLOGIA
  • Keywords: Proto-concept; Proto-instrument; Protoconceito; Protoinstrumento
  • Language: Português
  • Abstract: As investigações que resultaram nesta tese derivam de duas inquietações intelectuais, de ordem mais geral, suscitadas em minha trajetória de pesquisa: (1) o que pode caracterizar um conceito como heurístico e transdisciplinar? (2) como é possível estabelecer mediações cognitivas capazes de inteligir um objeto histórico? Nosso objeto central de estudo consiste na compreensão da evolução histórica e epistemológica sofrida pelo conceito de Gestalt, cuja tradução para o termo forma ou suas derivações não preserva o seu sentido mais fundamental: uma totalidade que é distinta da soma das partes que a compõe, sendo esta totalidade capaz de sofrer reconfigurações sem ter sua identidade alterada. Nosso enfoque será o período que vai de 1886 a 1935, com eventuais avanços e recuos para aquém e além desse intervalo. Daremos especial atenção ao modo como tal conceito se configurou na psicologia da época, com destaque para as formulações da psicologia da Gestalt (Escola de Frankfurt-Berlim), cujos principais representantes foram Max Wertheimer (1880 - 1943), Kurt Koffka (1886 - 1941) e Wolfgang Köhler (1887 - 1967). Contudo, nosso viés investigativo, a exemplo daquele compartilhado pelos integrantes da Escola de Frankfurt-Berlim, não é disciplinar nem monográfico-autoral. Entenderemos a Gestalt como exemplo de um protoconceito, ou seja, um conceito capaz de sofrer contínuas rearticulações tanto no âmbito da cultura científica como da filosófica, sem, com isso, deixar de manterinter-relações com a cultura geral da época. Nossa investigação, portanto, alterna vários níveis, cujos principais são: o conceitual, o epistemológico, o histórico, o social - entendido em sua expressão mais concreta como um coletivo de pensamento - e o instrumental. Quanto a este último nível, apresentaremos uma classe de dispositivos cujos integrantes, de modo análogo ao protoconceito, serão denominados protoinstrumentos. A isso acrescentam-se as particularidades do ambiente científico moderno, cujos expedientes de pesquisa e circulação de informação obedecem a padrões próprios. Esse conjunto de fatores impôs a necessidade de uma prévia reflexão metodológica, acarretando na divisão dessa tese em duas partes interdependentes. Na primeira, realizaremos um amplo exame das principais tradições, no âmbito da filosofia da ciência do século XX, cujas formulações apontaram para um estreitamento das relações entre a história e a produção do conhecimento científico. Os principais representantes debatidos foram Gaston Bachelard (1884 - 1962), Georges Canguilhem (1904 - 1995), Alexandre Koyré (1892 - 1964, Ludwik Fleck (1896 - 1961), Arthur Lovejoy (1873 - 1962), Thomas Kuhn (1922 - 1996) e Peter Galison. Ao final da Segunda Parte proporemos uma orientação no âmbito da epistemologia histórica a que denominamos proposta protoconceitual convergente. Com ela, são detalhados o conjunto de categorias e pressupostos metodológicos assumidos em nossa investigação. Com base nisso,percorreremos, na Segunda Parte, as múltiplas articulações sofridas pelo protoconceito de Gestalt tanto no âmbito da tradição alemã, como nos trabalhos pioneiros de Ernst Mach (1838 - 1916), Christian von Ehrenfels (1859 - 1932) e representantes da Escola de Graz, com destaque para Vittorio Benussi (1878 - 1927). Defenderemos que a Escola de Frankfurt-Berlim foi a principal responsável pela efetivação da Gestalt como um protoconceito transdisciplinar, cujo núcleo semântico manteve-se preservado durante suas múltiplas articulações
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  • Data da defesa: 15.09.2017
  • Acesso online ao documento

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    • ABNT

      CARNEIRO, João Alex Costa; RAMOS, Mauricio de Carvalho. A Gestalt entendida como um protoconceito transdisciplinar na passagem do século XIX ao século XX: uma abordagem epistemológica e histórica. 2017.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-13032018-103115/ >.
    • APA

      Carneiro, J. A. C., & Ramos, M. de C. (2017). A Gestalt entendida como um protoconceito transdisciplinar na passagem do século XIX ao século XX: uma abordagem epistemológica e histórica. Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-13032018-103115/
    • NLM

      Carneiro JAC, Ramos M de C. A Gestalt entendida como um protoconceito transdisciplinar na passagem do século XIX ao século XX: uma abordagem epistemológica e histórica [Internet]. 2017 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-13032018-103115/
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      Carneiro JAC, Ramos M de C. A Gestalt entendida como um protoconceito transdisciplinar na passagem do século XIX ao século XX: uma abordagem epistemológica e histórica [Internet]. 2017 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-13032018-103115/