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A leitura e a escrita como práticas culturais e o fracasso escolar das crianças de classes populares: uma contribuição crítica (1999)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: SAWAYA, SANDRA MARIA - IP
  • USP Schools: IP
  • Sigla do Departamento: PSA
  • Subjects: DESENVOLVIMENTO COGNITIVO; ESCRITA; LEITURA; POLÍTICA EDUCACIONAL; ALFABETIZAÇÃO; CONSTRUTIVISMO (PSICOLOGIA); FRACASSO ESCOLAR
  • Language: Português
  • Abstract: O interesse deste trabalho é o de contribuir para uma melhor compreensão dos aspectos que envolvem a alfabetização das crianças de classes populares em nosso país. Para tanto partimos de uma reflexão sobre alguns dos pressupostos da teoriaconstrutivista que vêm norteando as políticas de alfabetização dos órgãos planejadores da política educacional do nosso país, lançado mão das contribuições de um grupo de historiadores e sociólogos, que através da perspectiva da HistóriaCultural, vêm apontando novos ângulos ao entendimento da leitura e da escrita. Partindo de uma análise de algumas das teses construtivistas que nortearam o projeto de alfabetização do Ciclo Básico e dos seus desdobramentos sobre a maneira decompreender as dificuldades escolares das crianças de baixa renda, buscamos analisar algumas dessas afirmações a partir dos dados de pesquisa por nós realizada e de outros trabalhos que confirmavam os nossos resultados. As pesquisas revelaram aexistência de materiais escritos bem como de práticas de leitura e escrita nos meios populares, apontando para a necessidade de uma revisão dos pressupostos da sua inexistência bem como dos defeitos dela sobre o desenvolvimento cognitivo dascrianças pobres. As contribuições dos historiadores franceses e dos sociólogos ofereceram não só uma ampliação dos referenciais de análise da alfabetização e classes populares, como revelaram novos ângulos para uma melhor compreensão dos muitosaspectos,dentre eles o fracasso escolar, que envolvem o processo de escolarização. A análise das informações obtidas nas pesquisas e as contribuições teóricas trazidas pelos trabalhos dos autores estrangeiros sobre a leitura e a escritapermitiram problematizar as afirmações sobre a ausência de leitura e escrita nos meios populares e suas supostas conseqüências cognitivas, não se reduz às formas gráficas e ao texto escrito. Os usos que a sociedade tem feito da escritapermitiram que ) ela penetrasse, de diversas maneiras, nos vários domínios da vida social, nas suas formas de organização, na construção das significações sociais e nas formas de relação social. Como práticas sociais, esses autores revelam que hámodos de leitura (silenciosa, teatralizada, coletiva, etc.), modos diversos de emprego dos textos, diferentes formas de processos de acesso ao texto, apontando para aspectos desconhecidos das relações que os leitores estabelecem com o textoescrito e incluindo neles leitores que não dominam as técnicas de leitura e escrita. Assim, os processos de exclusão social das populações pobres aos bens culturais não impediram as relações práticas e simbólicas que a escrita trouxe ao conjuntoda sociedade. Como um dispositivo do poder, a escrita é uma instituição social que provocou mudanças nos modos de pensar e perceber o mundo tornadas possíveis pelas mudanças nos sistemas de comunicação e na construção das significações dasociedade como um todo. Há,portanto, uma "lógica escrita" que organiza, que caracteriza os modos de pensar, ditos científicos, dos que dominam as formas letradas da leitura e da escrita (as formas escolares). As classes populares nãoescolarizadas ou mal escolarizadas se realcionam com os textos escritos mas não fazem deles os mesmos usos e nem estabelecem com ele s as mesmas relações dos grupos letrados , apropriações provenientes de outras racionalidades que caracterizamas culturas orais permanecem como formas de leitura e escrita das classes populares. As questões apontadas por esses autores nos levaram a algumas problematizações dos pressupostos que até então embasavam as concepções sobre as relações dasclasses populares com a cultura escrita: não existem, numa sociedade letrada, grupos marginalizados das práticas e relaçòes escritas: nas sociedades capitalistas contemporâneas não existe 'marginalidade social" como não-participação na sociedadee na ) e cultura; a cultura popular não pode ser entendida sem referência à cultura dominante; integrar as crianças pobres à "forma escolar" de relação com a língua, por meio de automatismos técnicos de alfabetização, é uma prática desubmetimento que, como tal, produz resistência
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 03.12.1999

  • Exemplares físicos disponíveis nas Bibliotecas da USP
    BibliotecaCód. de barrasNúm. de chamada
    IP12300003864T LB1525 S271L e.1
    How to cite
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    • ABNT

      SAWAYA, Sandra Maria; PATTO, Maria Helena Souza. A leitura e a escrita como práticas culturais e o fracasso escolar das crianças de classes populares: uma contribuição crítica. 1999.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.
    • APA

      Sawaya, S. M., & Patto, M. H. S. (1999). A leitura e a escrita como práticas culturais e o fracasso escolar das crianças de classes populares: uma contribuição crítica. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Sawaya SM, Patto MHS. A leitura e a escrita como práticas culturais e o fracasso escolar das crianças de classes populares: uma contribuição crítica. 1999 ;
    • Vancouver

      Sawaya SM, Patto MHS. A leitura e a escrita como práticas culturais e o fracasso escolar das crianças de classes populares: uma contribuição crítica. 1999 ;