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Funcionamento hídrico e suscetibilidade erosiva de um sistema pedológico constituído por latossolo e argissolo no município de cidade Gaúcha - PR (2002)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: CUNHA, JOSÉ EDÉZIO DA - FFLCH
  • USP Schools: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FLG
  • Subjects: PEDOLOGIA; HIDROLOGIA APLICADA; PARANÁ
  • Language: Português
  • Abstract: O conhecimento integrado do meio físico, em particular dos solos, tanto das suas características como do seu funcionamento, vem sendo indicado por muitos pesquisadores, como imprescindível para a melhoria e adequação das propostas de controle preventivo e/ou corretivo dos processos erosivos, já que suas ações devem permitir, de maneira adequada e segura, a sua correta ocupação e manejo, através e sobretudo do planejamento integrado de uso de seus recursos. Nesse contexto, definiu-se como principal objetivo da pesquisa caracterizar o funcionamento hídrico do sistema pedológico "Campus do Arenito", localizado na fazenda experimental da Universidade Estadual de Maringá do município de Cidade Gaúcha, Noroeste do Estado do Paraná, e a identificação dos parâmetros responsáveis pelo processo de distribuição de matéria, tanto em superfície como em subsuperfície. Parte-se do pressuposto que a dinâmica desses processos podem contribuir para a evolução morfopedológica atual da vertente, bem como para compreender em que medida e porque condicionam e dão início à instalação dos processos erosivos laminares. Para tanto, a pesquisa desenvolveu-se a partir de uma abordagem morfológica detalhada do sistema pedológico, constituído por Latossolo Vermelho/Argissolo Vermelho de montante para jusante, onde se procedeu à descrição macro e micromorfológica, a realização de ensaios e o monitoramento físico-hídrico dos fluxos, com ênfase no registro em campo de dados de tensiometria,infiltrometria e dos ensaios com simulador de chuva, com vistas a estabelecer os parâmetros a serem considerados no planejamento de uso e ocupação das terras. As observações macro e micromorfológicas indicam que se trata de um sistema pedológico em processo de transformação lateral de cobertura latossólica em argissólica. A partir da média vertente até a baixa vertente, aparece o horizonte Bt, no interior do horizonte Bw, resultante da ) transformação lateral e vertical deste. A montante, o horizonte Bt se individualiza, aparentemente, por adensamento do Bw, gerando estruturas em blocos, sem contudo apresentar ganhos em argila, enquanto que no horizonte de transição acima, está ocorrendo eluviação desta. Na baixa vertente, entretanto, é mais evidente a participação de processos e-iluviais na formação do Bt, ainda como transformação do Bw, já que restos dele aparecem abaixo do Bt. A jusante, no sopé da vertente, o horizonte Bt está diretamente assentado sobre o C e abaixo de um AE pouco expressivo, o que faz supor que a sua origem seja litodependente. Assim, a evolução desse sistema pode estar condicionada, de um lado, às transformações laterais da cobertura latossólica em argissólica, do topo até a baixa vertente. No sopé, entretanto, há evidências morfológicas, da geração do argissolo a partir da pedogênese direta sobre o material do arenito Caiuá, provavelmente em decorrência de um reentalhe da vertente, que pode ter sido provocado por um aprofundamento do talveguedo córrego Ipiranga, em resposta às últimas oscilações climáticas do Quaternário. Por outro lado, em superfície, a organização do horizonte Ap, as variações de espessura, ou mais especificamente, a redução da espessura no setor de baixa vertente e sopé, devem estar relacionadas às formas de uso e manejo agrícola, e à incidência de processos erosivos superficiais (laminares). As características físicas da cobertura pedológica indicam condições de alta instabilidade para os horizontes superiores, principalmente na cobertura latossólica, onde foram registrados altos graus de dispersão de argila associados a ocorrência de cutãs argilo-ferruginosos de iluviação. A colmatação da porosidade pelos cutãs e o imbricamento dos grãos do esqueleto, geram um adensamento desses horizontes superiores (Ap, )AB e/ou BA) e uma diminuição da porosidade total que se traduzem em redução da condutividade hidráulica. Assim, a circulação hídrica vertical sofre um bloqueio próximo à superfície e, em decorrência, se instalam fluxos hídricos laterais, já a partir do topo da vertente. A dinâmica hídrica da cobertura latossálica é, desta forma, marcada por um comportamento distinto desses horizontes superiores em relação aos inferiores (Bw). Os horizontes Ap, AB e/ou BA exibem ao longo do tempo uma alternância de condições de umidade, ora mais úmidos, ora mais secos, em resposta a distribuição e intensidade das chuvas. Em profundidade, no Bw, as condições hídricasdependem da movimentação da água vertical e lateral, não respondendo, portanto, diretamente às variações atmosféricas como na superfície. Na cobertura argissólica, o bloqueio da drenagem vertical ocorre no topo do Bt, gerando acima (horizonte AE) uma zona mais constantemente úmida. De um modo geral, os horizontes superficiais dos argissolos não apresentam as alternâncias de umedecimento e secamento verificadas nos latossolos; permanecem sempre mais úmidos do que aqueles em função dos fluxos hídricos laterais que chegam de montante. O escoamento superficial se forma mais cedo e é também mais volumoso, sobre a cobertura latossólica do que sobre a argissólica, em virtude do bloqueio da infiltração vertical da água próximo à superfície. Mas, apesar de mais tardio e menos volumoso, o escoamento superficial sobre o argissolo apresenta maior potencial erosivo. Essa diferença de comportamento face à erosão é explicada pela diferença de velocidade dos fluxos hídricos superficiais e subsuperfíciais que se estabelecem, estando as taxas maiores de perdas de solo associadas aos fluxos mais rápidos. Ainda, no argissolo, em condições de ambiente saturado e com ) geração de fluxo subsuperficial lateral que se instala no horizonte AE, é de se esperar uma fragilidade maior desse material superficial empobrecido em argila, envolvido simultaneamente em dois fluxos: um em superfície e outro em subsuperfície
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 02.07.2002

  • Exemplares físicos disponíveis nas Bibliotecas da USP
    BibliotecaCód. de barrasNúm. de chamada
    FFLCH21100003578T CUNHA, J.E. 2002
    How to cite
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    • ABNT

      CUNHA, José Edézio da; CASTRO, Selma Simões de. Funcionamento hídrico e suscetibilidade erosiva de um sistema pedológico constituído por latossolo e argissolo no município de cidade Gaúcha - PR. 2002.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
    • APA

      Cunha, J. E. da, & Castro, S. S. de. (2002). Funcionamento hídrico e suscetibilidade erosiva de um sistema pedológico constituído por latossolo e argissolo no município de cidade Gaúcha - PR. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Cunha JE da, Castro SS de. Funcionamento hídrico e suscetibilidade erosiva de um sistema pedológico constituído por latossolo e argissolo no município de cidade Gaúcha - PR. 2002 ;
    • Vancouver

      Cunha JE da, Castro SS de. Funcionamento hídrico e suscetibilidade erosiva de um sistema pedológico constituído por latossolo e argissolo no município de cidade Gaúcha - PR. 2002 ;