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Como, por que e para que usamos o discurso citado direto (DCD)? (2002)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: VENANCIO, REGINA - FFLCH
  • USP Schools: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FLC
  • Subjects: ENUNCIADOS (ANÁLISE); ENTREVISTA TELEVISUAL
  • Language: Português
  • Abstract: O presente trabalho tem como principais objetivos, o questionamento de algumas noções vinculadas ao esquema de citação do discurso citado direto (DCD), isto é, da fidelidade, da literalidade e da objetividade atribuídas a este modo de reprodução das palavras do outro, bem como da função informativa associada ao emprego desse esquema de citação. A revisão teórica que possibilitou a delimitação dessas noções incluiu textos de gramática (do português, do francês e do espanhol), escritos de Bakhtin (sobretudo aqueles referentes à teoria do enunciado concreto - conceitos de dialogismo e de atitude responsiva ativa), certos aspectos da Teoria Polifônica da Enunciação (Ducrot), autores cujos textos são mais - ou menos - tributários da teoria da menção (Rey-Debove e Authier-Revuz) e, finalmente, a Teoria da Construção (Tannen). No que se refere precisamente ao funcionamento do DCD incorporado ao discurso citante, levamos em consideração os trabalhos de Vincent e Perrin (1999), Preti (1998) e Tannen (1994). A pesquisa realizada teve como objeto um corpus oral de um gênero discursivo particular, "entrevistas televisionadas" (76 minutos de gravação, nos quais foram registradas 134 ocorrências de DCD). Os resultados da análise, bem como as leituras realizadas, nos conduziram a propor, em um primeiro momento, uma ampliação das possibilidades de identidade do outro e da definição de enunciado original. Na perspectiva proposta, o enunciado original (latu sensu)passaria a ser todo e qualquer enunciado que possa ser produzido em uma comunidade sobre um dado tema e cujo autor, isto é, a voz do outro, introduzida no contexto citante, poderia ser tanto a de um sujeito empírico específico precisamente identificado, como a de um autor cujo grau de indeterminação seria variável (vozes coletivas, sociais, do senso comum, expressões populares, ditados etc.). Deste ponto de vista, o DCD passa a ser considerado uma reconstrução ) (e não mais uma reprodução) realizada pelo falante, por meio de uma seleção dos elementos que compõem o enunciado citado (em nível lexical, sintático, ilocutório e/ou prosódico). Em decorrência dessas escolhas, à hipótese da literalidade vem se opor a da seletividade. No que se refere ao estudo das funções do DCD, a análise realizada possibilitou a confirmação, para o gênero discursivo considerado, daquelas descritas por Vincent e Perrin (1999), no contexto de entrevistas sociolingüísticas, ou seja, verificamos a ocorrência de DCDs com funções: narrativa, ilustrativa e de argumento de autoridade. Constatamos, ainda, a existência de variantes estruturais para o tipo ilustrativo e pudemos também somar aos tipos acima descritos, no caso de entrevistas televisionadas, as funções de argumento, contra-argumento, explicativa e descritiva. Não devemos esquecer a possibilidade de acúmulo de funções para uma só ocorrência. Vincent e Perrin mencionam a possibilidade de acúmulo das funçõesnarrativa e de argumento de autoridade. Esta possibilidade, bem como várias outras foram constatadas para o nosso corpus de análise. O último resultado de nossa análise veio confirmar, sobretudo, as observações de Tannen referentes à intensificação do envolvimento do interlocutor na narrativa, enquanto resultado do emprego do esquema de citação do DCD. Constatamos que o emprego do DCD possibilita não só a intensificação do envolvimento do interlocutor, mas também a do poder de persuasão, no caso de contextos argumentativos. Finalmente, podemos mencionar a constatação suplementar depreendida de nossa análise, referente à participação do DCD da construção da coesão do discurso
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 23.08.2002

  • Exemplares físicos disponíveis nas Bibliotecas da USP
    BibliotecaCód. de barrasNúm. de chamada
    FFLCH21300124609T VENANCIO, R. 2002 v.2
    How to cite
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    • ABNT

      VENÂNCIO, Regina; CORRÊA, Manoel Luiz Gonçalves. Como, por que e para que usamos o discurso citado direto (DCD)?. 2002.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
    • APA

      Venâncio, R., & Corrêa, M. L. G. (2002). Como, por que e para que usamos o discurso citado direto (DCD)?. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Venâncio R, Corrêa MLG. Como, por que e para que usamos o discurso citado direto (DCD)? 2002 ;
    • Vancouver

      Venâncio R, Corrêa MLG. Como, por que e para que usamos o discurso citado direto (DCD)? 2002 ;

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