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Do outro lado nasce o sol: o trabalho dos japoneses e seus descendentes no estado do Rio de Janeiro (2002)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: INOUE, MARILÉIA FRANCO MARINHO - FFLCH
  • USP Schools: FFLCH
  • Sigla do Departamento: FSL
  • Subjects: IMIGRAÇÃO
  • Language: Português
  • Abstract: Os testemunhos a respeito da história das imigrações japonesas no Brasil pareciam definitivos com os acontecimentos já estudados e definidos. Estereótipos foram criados e consolidados especialmente nos estudos sobre São Paulo e Paraná, cujo número de imigrantes e descendentes de japoneses é incomparavelmente maior que nos demais estados. As histórias são uniformizadas, e de certa maneira, condicionadas pela comunidade étnica a qual estão ligadas. Essa é uma posição mais ou menos confortável, pois, a história da releitura dos fatos é a do momento em que se dá a pesquisa. Não é a história que aconteceu anos atrás, uma vez que é filtrada socialmente por urna série de interesses coletivos. Essa pesquisa assume a postura e os riscos lançados pela conjuntura de transformações mundiais, com o desafio maior de estudar condições sociais de indivíduos e coletividades, povos e nacionalidades, culturas e civilizações de maneira a compreendê-los em suas diferenças. Reler a história da imigração através do Estado do Rio de Janeiro é dar a voz aos silenciados que rumaram para um local por escolhas próprias, movidos pela premência de suas dissonâncias ou interesses. O foco dessa tese é recontar a história, por outro prisma, lançando mão das entrevistas, documentos ou bibliografia, é contar essa história até então não contada. No tempo de Vargas, os Núcleos Coloniais formados por dez famílias cada, para abastecer a Capital Federal de hortifrutigranjeiros. Tais núcleos foram implantadosforam implantados e encantaram os que por eles passaram. Outros japoneses vieram diretamente do Japão, quando estudiosos de imigração japonesa se referem ao Estado do Rio de Janeiro o fazem de maneira vaga e imprecisa, como se nada de relevante tivesse acontecido por aqui. Os imigrantes japoneses e os seus descendentes são diferenciados porque a maioria veio para cá marcada por acontecimentos desagradáveis para os locais de suas primeiras ) imigrações e se agrupam por afinidades. A cultura que carregam, especialmente a dos mais antigos, lhes incutiu não filar de assuntos desagradáveis. Em virtude disso, era melhor calar a bem deles mesmos, trabalhar, perseguir seus objetivos e conseguir vencer o preconceito contra o "perigo amarelo" que supostamente representariam desde sua abertura para o ocidente. O Rio de Janeiro, conhecido pelos estrangeiros como terra de liberdade acolheu mais esses estrangeiros e segundo os relatos colhidos há uma relação social diferente das "colônias". Se na Capital Federal estavam poderosos inimigos políticos dos imigrantes japoneses, em contrapartida também lá estavam os que queriam sua presença, compreendiam e respeitavam sua cultura. A evidência de que tinham conquistado o respeito pelo trabalho apareceu durante a 11 Guerra, quando população, autoridades e intelectuais atenuaram as vicissitudes do sofrimento de perseguições absurdas. Os descendentes desses japoneses, que fizeram o percurso contrário de seus ancentrais,descobrem-se brasileiros no Japão. Diferentes dos outros trabalhadores, descendentes de japoneses pela vivência e educação, percebem que tinham que se comportar como visitas no Brasil e mais uma vez se comportar como visita no Japão. Descobrem a rixa dos colegas de outros estados, que os apontam como "malandros" por morarem no Rio de Janeiro. Quando premiados são considerados "puxa-saco ". Contraditoriamente, o governo brasileiro espera que além de trabalhadores eles sejam "operários da amizade" entre o Brasil e Japão. A inserção desqualificada de uma mão-de-obra qualificada usa a força de trabalho de isseis e de seus descendentes, cada vez mais jovens, à terras dos ancestrais. Os que não podem voltar ficam no Japão como qualquer estrangeiro, sem direito à nacionalidade de seus ancestrais ) e os que voltam, além de trazer na bagagem as doenças do trabalho, enfrentarão as mesmas condições estruturais que os expulsaram do Brasil, desafiando-o a não deixar o dinheiro poupado se corroer. O retorno, para o qual se prepararam tanto, pode ser solitário, doloroso e um desafio maior para esquecer o preconceito que sempre perseguiu o "dekassegui ". O jogo dualista, como num espelho retroverso, mostra o fugidio sol do direito ao trabalho desaparecer sem que o "dekassegui' o agarre. A liberdade de imigrar fez os trabalhadores temporários japoneses vislumbrarem a esperança que despontou no Brasil agrícola do início do século XX e o trabalho temporário reapareceu no Japãotecnológico no final do século XX para os seus descendentes brasileiros
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 29.11.2002

  • How to cite
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    • ABNT

      INOUE, Mariléia Franco Marinho; HIRANO, Sedi. Do outro lado nasce o sol: o trabalho dos japoneses e seus descendentes no estado do Rio de Janeiro. 2002.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
    • APA

      Inoue, M. F. M., & Hirano, S. (2002). Do outro lado nasce o sol: o trabalho dos japoneses e seus descendentes no estado do Rio de Janeiro. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Inoue MFM, Hirano S. Do outro lado nasce o sol: o trabalho dos japoneses e seus descendentes no estado do Rio de Janeiro. 2002 ;
    • Vancouver

      Inoue MFM, Hirano S. Do outro lado nasce o sol: o trabalho dos japoneses e seus descendentes no estado do Rio de Janeiro. 2002 ;

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