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Mutação Libanesa: variações de apresentações clínicas e polimorfismos (2002)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: BENETTI, DENISE ELENA FRANCHI - FMRP
  • USP Schools: FMRP
  • Sigla do Departamento: RCM
  • Subjects: HIPERCOLESTEROLEMIA; GENÉTICA DE POPULAÇÕES
  • Language: Português
  • Abstract: A hipercolesterolemia familiar é uma doença que se caracteriza pela elevação da concentração plasmática de LDL-colesterol, associada ao aparecimento de xantomas e obstrução coronariana em idade jovem, levando a doença cardíaca isquêmica que geralmente constitui a causa da morte. A doença é causada por defeitos na síntese, no transporte intracelular, na capacidade de ligação ou na reciclagem do receptor da apoB da LDL (LDL-r). A mutação libanesa (substituição C/A no códon 660, no exon 14 do gene LDL) afeta 1 em 500 indivíduos e é causada por defeito na síntese do LDL-r, sendo causa freqüente de hipercolesterolemia familiar no Brasil. Foram estudados 32 indivíduos, distribuídos posteriormente em dois grupos: portadores da Mutação Libanesa (Gl) e não portadores da mutação libanesa (G2). A média de idades foi de 51 ± 15 anos no grupo G1 e 56,9 ± 13 anos no grupo G2. A média dos níveis séricos de CT foi de 377,7 ± 61,7 mg/dl para o grupo 1 e 305,9 ± 33,3 mg/dl para os indivíduos do grupo G2, sendo que o teste "t" para amostras independentes mostrou diferença significativa entre os dois grupos de indivíduos com p = 0,001. A média entre os níveis séricos de LDL-c para os grupos Gl e G2 foram respectivamente de 289,7 ± 61 mg/dl e 224,3 ± 30 mg/dl, com valor de p = 0,002. Foi avaliada a resposta terapêutica à atorvastatina cálcica nos dois grupos estudados. Os indivíduos não portadores do alelo libanês, após ingestão de 10 mg de atorvastatina cálcica, pelo período de 30 diasconsecutivos, tiveram redução dos níveis séricos de CT de 122,9 ± 41,2 mg/dl com valor de p ajustado de Bonferroni < 0,001. A diferença das médias para o LDL-c foi = 119,7 ± 40,1 mg/dl com p ajustado de Bonferroni < 0,001. Os indivíduos portadores da Mutação Libanesa, utilizaram atorvastatina cálcica, nas doses de 10 mg, 20 mg e 30 mg. Para a dose de 10 mg da respectiva droga, a diferença entre as médias para os níveis séricos do CT foi 99,2 ± ) 36,4 mg/dl com valor de p ajustado de Bonferroni< 0,001. A diferença entre as médias dos níveis séricos de LDL-c foi de 78,9 ± 35 mg/dl. O valor de p ajustado de. Bonferroni < 0,001. Portanto, houve redução estatisticamente significativa, tanto nos níveis séricos do CT como nos níveis séricos do LDL-c. Para a dose de 20 mg de, atorvastatina cálcica, a diferença entre as médias dos níveis séricos do CT foi 137,7 ± 58,1 mg/dl p < 0,001, mostrando que houve uma redução estatisticamente significativa do CT. A diferença entre as médias de LDL-c foi de 165,3 ± 58,5 mg/dl com p < 0,006. Com o uso de 30 mg, a diferença entre as médias dos níveis séricos do CT foi 178,8 ± 57,9 mg/dl, com P =0,004, mostrando que houve uma redução significativa nos níveis séricos do CT. A diferença para as médias dos níveis séricos do LDL-c quando se administrou 30 mg da droga foi de 165,3 ± 58,5 mg/dl. O valor de p ajustado de Bonferroni = 0,006 mostrando redução estatisticamente significativa nos níveis do LDL-c. Os indivíduoshipercolesterolêmicos portadores do alelo libanês, apresentaram índices significativamente maiores para a doença aterosclerótica coronarianana em suas diversas formas e manifestações clínicas quando comparados com os indivíduos hipercolesterolêmicos não portadores do alelo libanês. Foram encontrados 52,9% x 6,7% de indivíduos com IAM nos grupos G1 e G2 respectivamente, sendo que o Teste Exato de Fisher mostrou diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos com p = 0,007. Entre os indivíduos do grupo G1 encontramos 47,6% de revascularização miocárdica, não sendo encontrado nenhum indivíduo com tratamento cirúrgico para DAC no grupo G2 (p = 0,002). Encontramos um percentual maior de episódios de Angina Pectoris em portadores do alelo libanês, com 47,1% de casos x 13,3% em hipercolesterolêmicos não portadores do alelo para a mutação libanesa. O Teste Exato de Fisher mostrou diferença (continuação) significativa entre os dois grupos com p = 0,006. Todos os indivíduos portadores do alelo para mutação libanesa apresentaram história familiar positiva para DAC (100%). Entre os hipercolesterolêmicos não portadores de mutação libanesa, o percentual para história familiar de DAC foi positivo em apenas 33% .Foram estudados, em hipercolesterolemia, alguns polimorfismos genéticos nos genes da apoB e apoE, e defeitos do gene do LDL-r, correlacionando os diferentes genótipos com as diversas formas clínicas da apresentação da doença arterial coronariana,representada em maior grau pela miocardiopatia isquêmica. O critério utilizado para diagnosticar a hipercolesterolemia familiar foi firmado pelos seguintes índices: colesterol sérico total (CT) e colesterol ligado do LDL (LDL-c) acima do percentil 95% para idade e sexo, níveis plasmáticos de triglicérides (TGL) abaixo de 400mg% e presença de outros parentes de primeiro grau com a mesma doença. A presença de doença isquêmica do coração foi avaliada através do ecocardiograma bidimensional com doppler, ecocardiograma de estresse farmacológico e pela cintilografia de perfusão miocárdica, todos esses exames segundo protocolo fixado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo / USP. A presença de doença aterosclerótica das artérias carótidas, foi também avaliada por eco-doppler, relacionando a espessura das suas camadas íntima e média com o risco para doença arterial coronariana. Laboriatorialmente foram pesquisados: presença da mutação libanesa, polimorfismos da apoB (XbaI, EcoRI e 3 'VNTR), polimorfismos da apoE e os níveis séricos de lípides. Polimorfismos envolvidos em outros processos ligados a aterogênese como os polimorfismos da paraoxonase e os da metilenetetrahidrofolato-redutase (MTHF-R) foram determinados por reação em cadeia da polimerase (PCR). Não houve diferenças significativas entre os grupos G1 e G2 nas ) freqüências alélicas dos locos da apoB: XbaI e EcoRI .O teste do Qui-Quadrado revelou p = 0,47 e p = 0,60respectivamente. Para os outros genes envolvidos na aterogênese como a paraoxonase, o teste do Qui-Quadrado não revelou diferença estatística significativa entre os dois grupos, com p = 0,91. Para a MTHF-R encontramos as seguintes freqüências genotípicas: AA (11,8%), VV (29,4%) e AV (58,8%) em portadores do alelo libanês e AA (40%), VV (13,3%) e AV (46,7%) nos indivíduos do grupo G2. Nos indivíduos do grupo G1 encontramos 100% de homozigose para a isoforma E3 da apoE , sendo que no grupo G2 encontramos os seguintes genótipos: E3/E3 (60%), E3/E4 (27%), E2/E3 (6,7%) e E4/E4 (6,7%)
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 02.08.2002

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    BibliotecaCód. de barrasNúm. de chamada
    FCFRP11200035538Benetti, Denise Elena Franchi
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    • ABNT

      BENETTI, Denise Elena Franchi; SANTOS, José Ernesto dos. Mutação Libanesa: variações de apresentações clínicas e polimorfismos. 2002.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2002.
    • APA

      Benetti, D. E. F., & Santos, J. E. dos. (2002). Mutação Libanesa: variações de apresentações clínicas e polimorfismos. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Benetti DEF, Santos JE dos. Mutação Libanesa: variações de apresentações clínicas e polimorfismos. 2002 ;
    • Vancouver

      Benetti DEF, Santos JE dos. Mutação Libanesa: variações de apresentações clínicas e polimorfismos. 2002 ;

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