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Estudo da influência de fatores exógenos e endógenos na freqüência cardíaca do bivalve Anodontites trapesialis (Lamarck, 1819) oriundo de rio e de represa: ciclo claro/escuro e padrões comportamentais (2002)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: CANDIDO, LEONARDO TEOFILO DA SILVA - FFCLRP
  • USP Schools: FFCLRP
  • Sigla do Departamento: 592
  • Subjects: BIOLOGIA AQUÁTICA
  • Language: Português
  • Abstract: Anodontites trapesialis é um bivalve límnico comumente encontrado em todo o interior do Estado de São Paulo, em rios com correnteza lenta ou lagos; vivendo quase totalmente enterrado em substratos que variam desde arenosos até lodosos ou argilosos (HEBLlNG, 1976; SIMONE, 1994). Embora o coração dos moluscos seja miogênico a atividade cardíaca pode ser modificada por numerosos estímulos endógenos e exógenos, adaptando o animal a diferentes demandas comportamentais e ambientais. Uma maneira muito comum de se avaliar a função cardíaca, em moluscos, é por meio de registros de freqüência cardíaca. Em nosso laboratório, adaptamos a técnica descrita para gastrópodes por Romero e Hoffman (1988) para registros eletrocardiográficos em bivalves (CÂNDIDO, 1999). O objetivo deste trabalho é iniciar um estudo dos efeitos dos principais parâmetros que afetam a função cardíaca de A. trapesialis, comparando a influência do ciclo claro/escuro natural e de padrões comportamentais na freqüência cardíaca de A. trapesialis oriundos do rio Pardo (ambiente lótico) e da represa Galo Bravo (ambiente lêntico). Para tanto, a análise granulométrica dos substratos do rio Pardo e da represa Galo Bravo e um estudo inicial da performance do enterramento, um dos comportamentos mais característicos dos bivalves, foram realizados. Esse comportamento foi dividido em três fases, ocorrendo em etapas, que consistem de uma série de movimentos integrados, que são repetidas até que uma posiçãoestável no substrato seja conseguida. Cada etapa é chamada ciclo de escavação. Embora o comportamento de enterramento seja semelhante nos animais de ambas as populações, os do rio Pardo realizaram um número menor de ciclos de escavação, durante um menor tempo de enterramento (que correspondeu a um maior índice de enterramento) , do que o realizado pelos animais da represa Galo Bravo, em areia mista, o que indica que os primeiros são mais rápidos que os segundos ) ao se enterrarem, em laboratório. As correntezas dos ambientes lóticos devem sujeitar os bivalves do rio Pardo a desenterramentos mais freqüentes, aumentando sua exposição à predação, o que pode ter favorecido o desenvolvimento de um enterramento mais rápido, com um menor número de ciclos de escavação. Por outro lado, o enterramento mais lento dos bivalves da represa Galo Bravo parece não comprometer a sua sobrevivência uma vez que, devido às fracas correntes dos ambientes lênticos, eles estão menos expostos à predação. Em animais originários do rio Pardo, os maiores valores médios de freqüência cardíaca, ao longo de 24 horas, ocorreram durante o período claro do dia enquanto que os menores ocorreram durante a noite. No entanto, nos bivalves da represa Galo Bravo, os valores médios de freqüência se mantiveram bastante estáveis ao longo do dia, estando associados a menores valores de dispersão. A ocorrência dos maiores valores de freqüência cardíaca no período claro, nos animais do rio Pardo, devefazer parte dos ajustes vegetativos associados ao provável aumento da atividade de bombeamento neste período, no qual o seu alimento estaria em maior disponibilidade. Nos bivalves da represa Galo Bravo, a freqüência cardíaca bastante estável ao longo de 24 horas, deve estar associada à manutenção de uma atividade de bombeamento provavelmente contínua, para a captação de alimento que, provavelmente, está disponível todo o tempo ou a intervalo variáveis. Em ambas as populações estudadas, o padrão imóvel/enterrado está associado ao mais baixo valor de freqüência cardíaca. Valores maiores de freqüência ocorreram durante o enterramento e mantiveram-se relativamente estáveis nas suas duas primeiras fases e nos 10 minutos iniciais da fase III, com uma redução gradual na freqüência cardíaca e na freqüência de ciclos de escavação/taxa de adução, ao longo da mesma. Na maioria dos animais experimentais, ) ocorreu correlação significativa entre estas duas variáveis, cujos valores tenderam a retornar a seus níveis basais. No animal imóvel/enterrado, em ambos os grupos, o nível de atividade muscular, indicado pela ocorrência de aduções esporádicas, é baixo, enquanto que, durante o enterramento, ocorre atividade muscular vigorosa, associada aos ciclos de escavação seqüenciais. O aumento de freqüência cardíaca, observado durante o enterramento, deve estar contribuindo para o aumento de débito cardíaco necessário à oxigenação aumentada da musculatura esquelética, durante aatividade vigorosa. A redução na freqüência de ciclos de escavação ao longo do enterramento deve-se, provavelmente, ao aumento considerável da resistência á penetração do pé à medida que o animal se aprofunda no substrato, podendo gerar um retorno venoso diminuído responsável por uma menor freqüência cardíaca, nos ciclos de enterramento finais. Nossos resultados revelam, ainda, que tanto a freqüência cardíaca média associada ao padrão comportamental imóvel/enterrado, quanto o aumento de freqüência cardíaca associado á fase III do enterramento, foram maiores nos animais do rio Pardo do que nos da represa Galo Bravo. Uma maior atividade cardíaca é compatível com o maior índice de enterramento detectado e discutido anteriormente, sendo coerente com um maior nível de atividade geral. A análise granulométrica dos sedimentos dos ambientes naturais, de ambas as populações, revelou que o substrato do rio Pardo é mais arenoso, enquanto o substrato da represa Galo Bravo possui uma proporção maior de silte e argila. Os resultados de ALEXANDER et al. (1993) indicam que, nos bivalves, os índices de enterramento mais elevados ocorrem em sedimentos de granulação semelhante à do habitat do animal. Assim, é possível que o índice dos animais da represa Galo Bravo tenha sido menor em areia mista, utilizada nos experimentos em laboratório, do que ) seria em seu substrato natural. No entanto, considerando que tanto a freqüência cardíaca média associada ao padrão comportamentalimóvel/enterrado, quanto o aumento de freqüência cardíaca associado à fase III do enterramento, foram menores nos bivalves da represa Galo Bravo, é provável que estes animais sejam, realmente, menos ativos que os do rio Pardo, e que, conseqüentemente, o enterramento dos primeiros deva ser, também em ambiente natural, mais lento que o dos segundos. Embora seja provável que as diferenças encontradas entre animais do rio Pardo e da represa Galo Bravo sejam adaptações fenotípicas, não se pode excluir a possibilidade de estas adaptações serem genotípicas, e estarem conduzindo estas populações à especiação
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 25.11.2002

  • Exemplares físicos disponíveis nas Bibliotecas da USP
    BibliotecaCód. de barrasNúm. de chamada
    FCLRP20800043227Cândido, Leonardo Teófilo da Silva
    How to cite
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    • ABNT

      CÂNDIDO, Leonardo Teófilo da Silva; ROMERO, Sonia Maria Brazil. Estudo da influência de fatores exógenos e endógenos na freqüência cardíaca do bivalve Anodontites trapesialis (Lamarck, 1819) oriundo de rio e de represa: ciclo claro/escuro e padrões comportamentais. 2002.Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2002.
    • APA

      Cândido, L. T. da S., & Romero, S. M. B. (2002). Estudo da influência de fatores exógenos e endógenos na freqüência cardíaca do bivalve Anodontites trapesialis (Lamarck, 1819) oriundo de rio e de represa: ciclo claro/escuro e padrões comportamentais. Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto.
    • NLM

      Cândido LT da S, Romero SMB. Estudo da influência de fatores exógenos e endógenos na freqüência cardíaca do bivalve Anodontites trapesialis (Lamarck, 1819) oriundo de rio e de represa: ciclo claro/escuro e padrões comportamentais. 2002 ;
    • Vancouver

      Cândido LT da S, Romero SMB. Estudo da influência de fatores exógenos e endógenos na freqüência cardíaca do bivalve Anodontites trapesialis (Lamarck, 1819) oriundo de rio e de represa: ciclo claro/escuro e padrões comportamentais. 2002 ;

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