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Dinâmica de população de Virola bicuhyba (Schott) Warb., (Myristicaceae) e fitossociologia de floresta pluvial Atlântica, sob clima temperado, Blumenau, SC (2003)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: SEVEGNANI, LUCIA - IB
  • USP Schools: IB
  • Sigla do Departamento: BIE
  • Subjects: COMUNIDADES VEGETAIS; FLORESTAS PLUVIAIS; DINÂMICA DE POPULAÇÕES
  • Language: Português
  • Abstract: As florestas pluviais, especialmente as tropicias, têm sido alvo de pesquisas científicas que buscam identificar padrões na dinâmica de populações e de comunidades que possam explicar sua alta diversidade. Os parcos conhecimentos sobre a dinâmica de populações das espécies arbóreas das florestas pluviais sob clima temperado no Sul do Braisl, dificultam o reconhecimento de padrões, a comparação com padrões evidenciados nas florestas tropicais, bem como, a silvicultura das espécies nativas e o manejo florestal. O presente estudo partiu da seguinte hipótese: a população de árvores sob condição climática pluvial temperada apresenta padrões estruturais e de dinâmica diferentes do evidenciados para as populações sob condição pluvial tropical. Este trabalho foi norteado pelos seguintes objetivos: 1) caracterizar a estrutura da floresta na qual a população está inserida 2) analisar as taxas de mortalidade e de natalidade da espécie e sua influência na estrutura da comunidade; 3) determinar taxas de crescimento em altura e diâmetro dos indivíduos da população; 4) discutir estratégias morfológicas dos estádios ontogenéticos da espécie; 5) caracterizar a fenologia reprodutiva e vegetativa da espécie; 6) determinar o padrão de distribuição espacial dos adultos; 7) determinar a razão sexual na população e 8) comparar os padrões evidenciados para esta espécie arbórea sob clima pluvial temperado, com os das espécies arbóreas sob clima pluvial tropical. O local de estudo foi Parque NaturalMunicipal São Francisco de Assis (aproximadamente '26 GRAUS'55'S e '49 GRAUS'05'W; 35 a 135 m de altitude, com 23 ha), coberto por floresta pluvial atlântica submontana, primária alterada com manchas de secundárias avancada, sob clima temperado, úmido, de verão quente, em Blumenau, SC. Para analisar padrões populacionais e fenológicos foi selecionada Virola bicuhyba (Schott) Warb., Myristicaceae, espécie arbórea dióica de dossel, exclusiva da floresta pluvial atlântica do rio de Janeiro e Minas Gerais ao norte do Rio Grande do Sul. As análises de população e de comunidde foram efetuadas em um hectare de amostra, subdivido em 40 parcelas de 10 m x 25 m, distribuídas aleatoriamente na encosta esquerda do Parque. Para análise da distribuição espacial e razão sexual foram avaliados todos os indivíduos adultos reprodutivos de V. bicuhyba, medidos diâmetros e estimada a altura, existentes na encosta direita do Parque, em área de 8,3 ha. O estudo foi efetuado ao longo de dois anos: 1999-2000 e início 2001. No estudo populacional, todos os indivíduos de V. bicuhyba existentes no interior do hectare foram medidos, altura e diâmetro basal e estimada a taxa de herbicoria. Foi avaliada a fenologia em 10 indivíduos dióico-pistilados adultos e q0 dióico-estimados. A análise de comunidade se procedu no interior do mesmo hectare da avaliação populacional, sendo incluídos na amostra todos os indivíduos com diâmetro maior ou igual a 5 cm medido a 1,3 mdo solo. Foram identificados todos os indivíduos e coletados amostras para incorporação no Herbário da FURB - Universidade Regional de Blumenau. Os parâmetros fitossociológicos, bem como os índices de diversidade, de eqüabilidade foram calculados. Foram amostrados 1735 indivíduos, pertencentes a 116 espécies, de 40 famílias, sendo uma de Pteridophyta e 39 Magnoliophyta. Famílias com maiores riquezas específicas foram: Myrtaceae (22 espécies), Lauraceae (13), Rubiaceae (11), Fabaceae lato sensu (8) e Euphorbiaceae (8). A área basal total foi de 33,38'm POT.2'/ha, valor superior à média indicada para florestas tropicais (32'm POT.'/ha)indicando uma comunidade bem desenvolvida. As espécies com maior valor de importância foram: Euterpe edulis (64,92), Sloanea guianensis (21,78), Rudgea recurva (12,24), Hyeronima alchorneoides (10,65), Cryptocarya moschata (8,99), Virola bicuhya (8,87). Os índices de diversidade e de eqüalidade foram: H'=2,93 nats/indivíduos e J=0,62, respectivamente. A população de V. bicuhyba esteve constituída em 1999, 2000 e 2001 por 636, 659 e 638 indivíduos, respectivamente. Em 2000 e 2001 nasceram 70 e 41 indivíduos e morreram 47 e 62 indivíduos, respectivamente. Da população amostrada em 1999 (n=636 indivíduos), sobreviveram até 2000 (n = 589) 92,61% e até 2001 (n=542) 85,22%. A estrutura populacional é semelhante entre anos e no período 1999-2001. Havia 15 indivíduos adultos se reproduzindo (5 pistilados e 10estaminados) na amostra. A taxa de mortalidade e de natalidade (1999-2001) foi de 0,08 e 0,09, respectivamente. A taxa de crescimento natural (lambda) calculada fo 'lambda'=1,002 para população total. A população distribuída em classes de diâmetro basal apresentou os seguintes valores de incremento em altura e diâmetro basal, respectivamente: até 1 cm de diâmetro (4,0 e 0,002cm, n=306); > 1 até 4cm (1,00 e 0,11cm, n=121); > 4 até 10 cm (60,00 e 0,50 cm, n = 20); > 10 até 40 cm (100,00 a 0,92 cm, n=23) e > 40 até 111 cm (150,00 e 1,03 cm, n=8), diferenças de tamanho entre (1999-2001) foram significativas (p < 0,01). A intensidade de herbivoria foliar foi inferior a 25%. A população de V. bicuhyba apresenta-se entre as seis mais importantes da comunidade Florestal do parque São Francisco de Assis, Bluminau, SC e está em leve ascensão numética e em tamanho dos indivíduos. A curva, gerada pelo número de indivíduos em cada classe de tamanho tem a forma de 'J' invertido, característica das populações longevas que subsistem muito tempo como jovens sob as florestas pluviais sob climas tropicais ou temperados e que originam pequeno número de adultos que ocupam o dossel. A natalidade compensou a mortalidade no período avaliado e o recrutamento para as classes de tamanho seguintes somente foi verificado entre os indivíduos com até 4 cm de diâmetro, devido ao lento crescimento. A herbivoria foliar não foi intensa na população no períodoavaliado, o que pode indicar que este não seja um fator limitante para a população. A fenologia desta espécie se caracterizou por fenofases com classe de freqüência anual (queda de folhas, floração e frutificação) e sub-anual (brotação), com classe de regularidade regular (queda de folhas, brotação, floração e frutificação) e com duração inermediária (queda de folhas, brotação, folhação, frutificação). As fenofases ocorrem em épocas relativamente bem definidas do ano: queda de folhas na primavera; brotação na primavera e verão (principal) e no outono (secundária); floração no verão e frutos maduros do inverno até o início da primavera. Foram amostrados 88 indivíduos adultos reprodutivos, 47 dióico-estaminados e 41 dióico-pistilados em 8,3 ha. A razão sexual obtida foi 1,15, sendo que a diferença entre a proporção de estaminados e pistilados não se desviou da unidade (p 'maior ou igual' 0,05). Densidade de 10,6 indivíduos/ha de adultos. Altura e diâmetro médios dos pistilados (19,0 m e 29,98 cm) e dos estaminados (19,9 m e 35,4 cm), não foram significativamente diferentes (p 'maior ou igual' 0,05). Aplicando-se o Índice de Morisita a distribuição espacial foi regular (Id=-0,39). A floresta pluvial atlântica, sob clima temperado úmido de verão quente, situada no Parque Natural Municipal São Francisco de Assis, em Blumenau, apresenta estrutura fitossociológica e florística diferente das florestas pluviais, sob clima tropical, no Brasil. A diferença se dá em riquezae composição florística, quanto à estrutra de tamanhos, cem como, nas populações que a compõe. No entanto, apresenta valores inferiores de diversidade e eqüabilidade, que as demais comunidades florestia pluviais atlânticas, sob clima temperado do Sul do Brasil, as quais se constituem em prolongamento empobrecido para o Sul da floresta pluvial atlântica cujo core se enconra entre o Rio de Janeiro e o sul da Bahia. A estrutura da população de V. bicuhyba em floresta pluvial sob clima temperado do Sul do Brasil apresenta padrão semelhante ao daquelas climáxicas do dossel de florestas pluviais sob climas tropicais. A razão sexual 1:1, a não significativa diferença de tamanho (altura e diâmetro), a distribuição espacial aleatória, aliada à pequena distância média entre os esporófitos dióico-estaminados e os dióico-pistilados, pode facilita o fluxo de pólen entre os indivíduos. Os padrões obtidos para a população, em floresta pluvial sob clima temperado, em Blumenau, são ao padrão de distribuição espacial regular e na distância média entre os indivíduos, quando comparados aos da população de Virola surinamensis em floresta pluvial sob clima tropical no Pará e no Amazonas. A semelhança observada na estrutura e na dinâmica populacional, espacial, de razão sexual, entre outros e as dissemelhanças fenológicas observadas em Virola bicuhyba e as demais espécies do mesmo gênero, ou outras espécies de diferentes famílias, pode evidenciar aspeculiaridades de sítio, de genoma e de resposta dos indivíduos, das populações e das comunidades aos fatores ecológicos atuantes em áreas sob clima pluvial temperado ou tropical
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 16.05.2003

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    • ABNT

      SEVEGNANI, Lúcia; MANTOVANI, Waldir. Dinâmica de população de Virola bicuhyba (Schott) Warb., (Myristicaceae) e fitossociologia de floresta pluvial Atlântica, sob clima temperado, Blumenau, SC. 2003.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
    • APA

      Sevegnani, L., & Mantovani, W. (2003). Dinâmica de população de Virola bicuhyba (Schott) Warb., (Myristicaceae) e fitossociologia de floresta pluvial Atlântica, sob clima temperado, Blumenau, SC. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Sevegnani L, Mantovani W. Dinâmica de população de Virola bicuhyba (Schott) Warb., (Myristicaceae) e fitossociologia de floresta pluvial Atlântica, sob clima temperado, Blumenau, SC. 2003 ;
    • Vancouver

      Sevegnani L, Mantovani W. Dinâmica de população de Virola bicuhyba (Schott) Warb., (Myristicaceae) e fitossociologia de floresta pluvial Atlântica, sob clima temperado, Blumenau, SC. 2003 ;

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