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Efeitos da fragmentação sobre comunidades arbustivo-arbóreas em Mata Atlântica, Una BA (2004)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: MARIANO NETO, EDUARDO - IB
  • USP Schools: IB
  • Sigla do Departamento: BIE
  • Subjects: ECOLOGIA DA PAISAGEM; FLORESTAS; CORTE (PLANTAS); UNA(BA)
  • Language: Português
  • Abstract: Este trabalho visou responder às seguintes perguntas: o tamanho dos remanescentes florestais da região de Una, BA, está correlacionado a alterações na estrutura das comunidades arbustivo-arbóreas? Este fator (tamanho) é o mais correlacionado à variação da estrutura da vegetação, ou o são outras características dos fragmentos e da paisagem, como forma, isolamento e distância de outras áreas, e quais aspectos da estrutura da vegetação apresentam maior variação? Alterações provocadas pelo corte seletivo de árvores e seu processamento têm peso significativo sobre estrutura da vegetação? E o corte é influenciado pela estrutura da paisagem? As amostragens foram realizadas dentro do Projeto TestaUna. Na paisagem de Una, selecionamos três blocos de amostragem de 6x6km, com mesmo tipo de cobertura florestal e relevo, e que continham ao menos duas manchas de floresta remanescente com mais de 1000ha (controles), e duas com menos de 200ha (fragmentos), totalizando seis controles e seis fragmentos. Fizemos uma amostragame estratificada, utilizando para cada sítio 10 parcelas de 10x10m para o componente dominante, indivíduos com DAP > 15cm; de 10x10m para o estráto arbóreo da submata, ou submata, DAP entre 15 e 5 cm; e de 5x5m para as arvoretas, DAP < 5cm, sendo as parcelas menores subparcelas das maiores. Em cada sítio, utilizamos transeções lineares, localizadas a pelo menos 75m de qualquer borda, para a locação aleatória das parcelas. No toal, amostramos 5640 indivíduos nostrês estratos considerados. Dentre estes, identificamos 389 morfotipos em nível de espécie, 63 em nível de gênero e 45 em nível de família, totalizando 497 morfotipos nos três estratos. No total, encontramos no componente dominate 1001 indivíduos pertencentes a 261 espécies, na submata 1493 indivíduos pertencentes a 308 espécies, e dentre as arvoretas 3146 indivíduos pertencnetes a 404 espécies. Dentre as assembléias de espécies, não encontramos grupos típicos de blocos ou de classes de tamanho, mas as áreas que sofreram mais impactos de corte seletivo apresentaram menor dissimilaridade, não importando a classe de tamanho. As análises de variância bifatorial revelaram um forte efeito de interação entre os fatores bloco e tamanho, indicando que o tamanho em si não pode ser o principal responsável pelas variações ambientais encontradas, nem mesmo seu efeito isolado pode ser conhecido com precisão. Verificando as distribuições das medias de controles e fragmentos por bloco em diversas variáveis, e analisando os dados de cada área, descobrimos que a interação estava relacionada a tendências contrárias em apenas um dos blocos em relação aos demais. Isto ocorreu proque, neste bloco, havia um fragmento recentemente isolado e que era também a única área que não havia sofrido corte seletivo, apresentando uma estrutura mais bem preservada até do que a maioria dos controles. Ao considerar esta área como um controle, encontramos diversas diferençasentre controles e fragmentos pequenos e antigos. Os controles possuem maior altura média, área basal média e abundância poe parcela das plantas do componente dominante, maior altura média e menor área basal média dos indivíduos da submata, maior abundância de arvoretas, menor quantidade de arvoretas em áreas de regeneração no interior da floresta, maior quantidade de arvoretas pertencentes a espécies intolerantes nas áreas de regeneração, maior quantidade de indivíduos tolerantes do componente domiante, da submata e das arvoretas, e menor quantidade de indivíduos intolerantes do componente dominante, da submata e das arvoretas. As análises de correspondência das variáveis do componente dominante, submata e arvoretas indicaram fortes gradientes, e as vairáveis com maior peso nas ordenações estavam relacionadas a alterações da cobertura, com diminuição da altura e área basal de árvores do componente dominante, com desenvolvimento dos outros estratos e aumento da quantidade de indivíduos de espécies intolerantes ao sombreamento. Nos blocos de 6x6km encontramos que o número de áreas core das manchas de floresta apresentou correlação negativa com o corte seletivo e com o primeiro eixo da ordenação da estrutura da vegetação do dossel; e positiva com o primeiro eixo da ordenação da submata. Analisando quadrados de 720 x 720m, centrados nas transeções, encontramos que a área total das matas apresentou correlação negativa com o corteseletivo, e positiva com o primeiro eixo das ordenações da submata e das arvoretas. A área total dos pastos apresentou correlação positiva com o eixo da ordenação do componente dominante, e negativa com os eixos das ordenações da submata e das arvoretas. O número de manchas de pstos apresentou correlação negativa com a ordenação da submata. O corte seletivo apresentou correlações maiores e mais significativas com as variáveis da estrutura da submata, e das arvoretas, do que qualquer vairável de paisagem, e esteve fortemente relacionado à variação ambiental expressa pela ordenação do componente domiante. A dominância dos efeitos do corte eletivo sobre a estrutura da vegetação nos três estratos, também influenciou a autocorrelação alta e significativa entre os eixos principais das ordenações dos mesmos. A variável corte seletivo compreende os resultados de alguns tipos diferentes de atividades, porém, no geral estas atividades foram realizadas mais intensamente nos fragmentos menores, quase todos pertencentes a particulares, e que não eram nem RPPNS ou reservas averbadas. Os impactos causados pela atividade, foram os grandes agentes de transformação dos trechos de floresta analisados, e suas conseqüências são sentidas em todos os estratos da floresta. Porém, ao descontarmos os efeitos do corte seletivo das ordenações da estrutura da vegetação (resíduos da regressão), ainda encontramos correlação negativamente significativa entre o número demanchas de pasto nos quadrados de 720x720m e a estrutura da vegetação submata. A estrutura da vegetação submata, descontados os efeitos do corte, é positivamente correlacionada à própria ordenação da submata, que evidenciou um forte gradiente de alterações na estrutura. Então, temos um indicativo de que, além do corte seletivo, outras fontes de alteração, como os efeitos de borda, podem estar ocorrendo. Por outro lado, parece ser muito difícil separar efeitos semelhantes e sinérgicos, como mortalidade induzida por efeito de borda e corte seletivo. Ambos provocam aberturas na floresta, com mudanças microclimática e facilitação do estabelecimento de indivíduos pertencentes a espécies dependentes de clareiras grandes, todos fatores que influenciam a estrutura da vegetação em todos os estratos.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 05.05.2004

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    BibliotecaCód. de barrasNúm. de chamada
    IB12000021763D-1063
    How to cite
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    • ABNT

      MARIANO NETO, Eduardo; MANTOVANI, Waldir. Efeitos da fragmentação sobre comunidades arbustivo-arbóreas em Mata Atlântica, Una BA. 2004.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
    • APA

      Mariano Neto, E., & Mantovani, W. (2004). Efeitos da fragmentação sobre comunidades arbustivo-arbóreas em Mata Atlântica, Una BA. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Mariano Neto E, Mantovani W. Efeitos da fragmentação sobre comunidades arbustivo-arbóreas em Mata Atlântica, Una BA. 2004 ;
    • Vancouver

      Mariano Neto E, Mantovani W. Efeitos da fragmentação sobre comunidades arbustivo-arbóreas em Mata Atlântica, Una BA. 2004 ;

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