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Efeitos da fragmentação e do estado de conservação da floresta na diversidade de aves de mata atlântica (2004)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: DEVELEY, PEDRO FERREIRA - IB
  • USP Schools: IB
  • Sigla do Departamento: BIE
  • Subjects: AVES
  • Language: Português
  • Abstract: Ao contrário do que ocorre no Hemisfério Norte, na região tropical existem poucos trabalhos testando a ediciência dos métodos de amostragem de aves. O método de pontos fixos é um dos mais utilizados para censos da comunidade de aves de uma determinada área. É de fundamental importância nesse método, a definição do tempo de amostragem em cada ponto. Para as regiões temperadas, o observador permanece no máximo 10 minutos em cada ponto. No Brasil, a maioria dos estudos considera um tempo de amostragem de 20 minutos. Porém faltam estudos testando a eficiência da amostragem nos diferentes intervalos de tempo. Este estudo tem como objetivo avaliar como o número de contatos com as diferentes aves varia ao longo de 20 minutos de amostragem. O estudo foi realizado em duas áreas de Mata Atlântica diferentes, uma com mata primária (Parque Estadual de Jurupará) e outra com mata secudária (Parque Estadual da Cantareira). Os dados foram coletados entre setembro e novembro de 2000. Foi amostrado um total de 70 pontos no P. E. de Jurupará e 71 no P. E. da Cantareira. Para se testar a eficiência nos diferentes tempos de amostragem, o período de 20 minutos foi dividido em nove intervalos, o primeiro de zero a quatro minutos e os demais de dois minutos cada. Os contatos com as aves foram anotados separadamente dentro de cada um desses intervalos. Para cada espécie foi calculado o índice pontual de abundânica (IPA) considerado amostragens de 10 e 20 minutos. Nas duas áreascerca de 70% dos contatos ocorreram nos primeiros 10 minutos. Mesmo para as espécies raras a maior parte dos contatos ocorre nos 10 minutos iniciais da amostragem. Segundo a análise de regressão Piecewise, seis minutos seriam suficientes para uma amostragem satisfatória, tanto na área de mata primária quanto na área de mata secundária. Comparando-se o ranking de abundância das espécies, baseados no IPA, em amostras de 10 e 20 minutos, observa-se uma grande semelhança. Os resultados desse trabalho sugerem que para as áreas de Mata Atlântica estudadas, o tempo de 10 minutos de permanência em cada ponto é suficiente para uma amostragem eficiente. É importante a realização de outros estudos com objetivos semelhantes, a fim de se desenvolver e estabelecer o método da melhor forma possível. Áreas de floresta tropical que sofreram retirada seletiva de madeira ou desmatamentos acabam sendo abandonados permitindo que ocorra uma regeneração da vegetação. A maior parte da Mata Atlântica passou por esse processo, sendo que muitos dos remanescentes florestais são compostos por matas secundárias. Apesar disso, ainda se conhece muito pouco sobre o papel dessas matas secundárias na manutenção da comunidade íntegra de aves. Nesse estudo foi comparada a composição e abundãncia de espécies de aves de Mata Atlântica em duas áreas de mata contínua compostas por florestas primárias e secundárias. O trabalho de campo foi realizado entre os meses de primaverae verão dos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003 em três unidades de conservação: parque Estadual de Jurupará (PEJ), Parque Estadual da Cantareira (PEC) e Reserva do Morro Gande (MG). As aves foram amostradas através do método do ponto fixo com um tempo de permanência de 10 minutos em cada ponto e um raio de detecção de 100 metros. No total foram acumulados 175 amostragens nas matas secundárias e 125 nas matas primárias. A estrutura da vegetação foi medida em cada umas das áreas, através de parcelas de 5x10m. Em cada uma das parcelas foi calculado o DAP médio das árvores, o número de árvores com bromélias, a altura do dossel e medida a densidade de folhagem, para se caracterizar diferenças na estrutura vertical da floresta. Um total de 148 espécies de aves foi registrado, sendo 125 nas matas primárias, com 33 espécies exclusivas e 118 nas matas secundárias com 26 exclusivas. Considerando espécies globalmente ameaçadas de extinção, as matas primárias abrigam quase o dobro de espécies do que as matas secundárias. Além das diferenças em relação a riqueza, a composição e a bundância das espécies também apresenta uma distinção. No entanto, entre as 81 espécies presentes nos dois tipos de mata, apenas 21 apresentaram diferenças significativas quanto a bundância, indicando que uma boa parte da comunidade não é afetada por alterações na estrutura da vegetação. Em relação a estrutura da vegetação, as matas primárias apresentaram estratos superiores maisdensos, maior DAP e dossel mais alto e um maior número de árvores com bromélias. A densidade do estrato superior da vegetação explicou a variação de abundância de 16 espécies de aves, entre as 21 que apresentam diferenças significativas de abundância entre as duas matas. As aves mais prejudicadas nas matas secundárias são as espécies de dossel, enquanto que a maior parte das aves de sub-bosque não se altera nessas florestas pertubadas. De maneira geral, este estudo demonstra que as matas secundárias abrigam uma grande diversidade de aves, porém é importante considerar que as matas estudadas são áreas contínuas e já vem se regenerando a cerca de 100 anos.
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 02.12.2004

  • Exemplares físicos disponíveis nas Bibliotecas da USP
    BibliotecaCód. de barrasNúm. de chamada
    IB12000022291D-1096
    How to cite
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    • ABNT

      DEVELEY, Pedro Ferreira; MOTTA JÚNIOR, José Carlos. Efeitos da fragmentação e do estado de conservação da floresta na diversidade de aves de mata atlântica. 2004.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
    • APA

      Develey, P. F., & Motta Júnior, J. C. (2004). Efeitos da fragmentação e do estado de conservação da floresta na diversidade de aves de mata atlântica. Universidade de São Paulo, São Paulo.
    • NLM

      Develey PF, Motta Júnior JC. Efeitos da fragmentação e do estado de conservação da floresta na diversidade de aves de mata atlântica. 2004 ;
    • Vancouver

      Develey PF, Motta Júnior JC. Efeitos da fragmentação e do estado de conservação da floresta na diversidade de aves de mata atlântica. 2004 ;