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Discussão de caso: voz do homem (2005)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: BRASOLOTTO, ALCIONE GHEDINI - FOB
  • USP Schools: FOB
  • Subjects: VOZ MASCULINA; FONOAUDIOLOGIA
  • Language: Português
  • Abstract: A voz humana tem características particulares e, sendo assim, desempenha um forte papel de identidade. Fatores como gênero, idade, condições genéticas e ambientais interferem nas características da voz, fazendo com que ela seja uma das características mais individualizadas do ser humano. O objetivo desta apresentação é discutir as questões relacionadas às características da voz do homem nos diferentes ciclos da vida e às exigências sociais e profissionais de pessoas desse gênero. A velocidade de repetição de uma onda por unidade de tempo é denominada freqüência fundamental e contribui para a percepção da voz como sendo grave ou aguda. Essa percepção depende também da amplificação ou amortecimento que as freqüências harmônicas, produzidas juntamente com a fundamental, sofrem nas cavidades de ressonância. Os fatores que determinam a freqüência fundamental são o comprimento natural da prega vocal, seu alongamento, a quantidade de massa em vibração e a tensão envolvida. Sendo assim, a freqüência é afetada pelo gênero e idade. Quanto ao gênero, existem poucas diferenças entre laringe e voz de meninos e meninas até o período que antecede a puberdade. A maior diferenciação ocorrena puberdade. A muda vocal nos homens ocorre ao redor dos 13 aos 15 anos e está relacionada ao desenvolvimento da estatura física. Nessa fase, o homem sofre modificações laríngeas acentuadas1. A prega vocal cresce até um centímetro, sendo a porção membranácea a região que apresenta ocrescimento mais evidente. Isso faz com que a configuração glótica se modifique, ocorrendo uma redução no ângulo de abertura das pregas vocais e um aumento na proporção glótica, que é a relação entre as medidas da porção membranosa e porção cartilaginosa. (continua) Essa nova configuração facilita o fechamento glótico, o que reduz a ocorrência de fendas triangulares, as quais eram típicas da laringe infantil. Reduzindo a possibilidade de fendas glóticas triangulares, reduz-se também a ocorrência de nódulos bilaterais de pregas vocais. Enquanto esse desenvolvimento está ocorrendo, é comum a instabilidade na voz, fazendo com esta se apresente ora aguda, ora grave e com momentos de rouquidão. Após um período de poucos meses, a voz grave se torna mais estável. A muda vocal para o menino tem um papel social e emocional relevante, pois representa a proximidade da idade adulta e é um marco importante em sua vida. Devido a esses fatores, a puberfonia, ou disfonias da muda vocal, são comuns nos homens e decorrentes mais freqüentemente de fatores psicogênicos do que orgânicos. A instabilidade após a muda vocal ainda permanece, em menor grau, até aproximadamente os 18 anos de idade. Após essa idade, a freqüência fundamental mantêm-se em torno de 113 Hz2. Dos 20 aos 40 anos, há ligeiro decréscimo na freqüência3. A voz masculina pode apresentar determinados graus de crepitação, considerados normais em função de sua freqüência mais baixa, entretanto, essa característicavocal pode indicar a possibilidade de estar ocorrendo um aumento de massa proveniente de alterações das pregas vocais. Geralmente, as alterações de pregas vocais que causam impacto negativo na qualidade vocal do homem, são as que proporcionam produção de freqüências mais agudas ou bitonais, como o sulco estria, por exemplo. A estabilidade relativa que ocorre ao longo da idade adulta começa a ser modificada quando o homem aproxima-se da ) terceira idade, embora esse processo seja bastante variável entre os indivíduos. As características que são muito comumente encontradas em laringe de homens idosos são o arqueamento e a atrofia das pregas vocais, a presença de sulco e a degeneração de gordura. No homem ocorrem mudanças histológicas em pregas vocais mais significativas do que na mulher4. Alguns estudos apontam para a tendência do idoso apresentar um comportamento de constrição supraglótica. Freqüentemente ocorre compensação hiperfuncional supraglótica mal-adaptativa na tentativa de diminuir o escape aéreo manifestado na presença da fenda glótica em idosos5. A hiperatividade das pregas vestibulares pode ocorrer em virtude de problemas psicogênicos ou devido à tentativa de compensar a atrofia ou a degeneração polipóide, comuns nessa faixa etária6. Em geral, a freqüência fundamental aumenta de 110 e 120Hz nos homens de meia idade para 130 a 160Hz na faixa acima de 65 anos7. A modificação na auto-imagem vocal decorrente das modificações na voz por conta doenvelhecimento pode desencadear reações físicas e psicológicas que desequilibram ainda mais o comportamento laríngeo durante a fonação8. Dentre os distúrbios em virtude da tentativa de compensar o processo de envelhecimento vocal, nos homens pode ocorrer intenção de abaixar a freqüência, geralmente com fonação em fry, aumentando o esforço laríngeo e entrando rapidamente em fadiga vocal8. Assim como em outras faixas etárias, a característica de alteração vocal do idoso que causa pior impacto social e, por conseqüência, mais incomodam o homem, são as que tornam a voz mais aguda. As características laríngeas de envelhecimento são diferentes para o homem e ) para a mulher, sendo a redução de massa em conseqüência das modificações histológicas o fator preponderante no homem, e que o conduz à elevação de altura em relação à idade jovem. Os homens que apresentam características de presbilaringe referem mais queixa vocal do que as mulheres com sinais de presbilaringe9. A voz grave é típica no homem adulto e, sendo assim, qualquer desvio nessa propriedade pode desencadear problemas sociais e profissionais, interferindo na sua integridade emocional10 . As questões relacionadas às características da voz do homem nos diferentes ciclos da vida e às exigências sociais e profissionais de pessoas desse gênero devem ser levadas em consideração em ações que envolvam a intervenção fonoaudiológica. Referências Bibliográficas 1. BEHLAU, M.; AZEVEDO, R.; PONTES, P.Conceito de voz normal e Classificação das disfonias. In: BEHLAU, M. (Org.) Voz: O livro do especialista. 2001. cap. 2, p. 53-84. 2. BEHLAU, M.; TOSI, O.; PONTES, P. Determinação da freqüência fundamental e suas variações em altura (jitter) e intensidade (shimmer) para falantes do português brasileiro. Acta AWHO 4:5-9, 1985. 3. HOLIEN, H.; SHIPP, T. Speaking fundamental frequency and chronologic age in males. J. Speech Her. Res. V. 15, p. 155-9, 1972. 4. HIRANO, M.; KURITA, S.; NAKASHIMA, T. Growth, development, and aging of human vocal folds. In: BLESS, D. M.; ABBS, J. H. (eds.). ) Vocal fold phisiology. San Diego: College-Hill, 1983. cap. 2, p. 22-43. 5. HAGEN, P.; LYONS, G. D.; NUSS, D. W. Dysphonia in the elderly: diagnosis and management of age-related voice changes. Southern Med. J., v. 89, p. 204-207, feb. 1996. 6. MORRISON, M. D.; GORE-HICKMAN, P. Voice disorders in the elderly. The Journal of Otolaryngology, v. 15, p. 231-234, 1986. 7. SHINDO, M. L.; HANSON, D. G. Geriatric voice and laringeal dysfunction. Otolaryngol. Clin. North Am., v. 23, p. 1035-1044, dec. 1990. 9. PONTES, P.; BRASOLOTTO, A. G.; BEHLAU, M. - Glottic characteristics and voice complaint in the elderly. Journal of Voice, v.19, n.1, p.84 - 94, 2005. 10. ARONSON, A.. E.; Clinical voice disorders. 3rd ed. New York, Thieme, 1990
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    • Título do periódico: Anais
  • Conference titles: Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia

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    • ABNT

      BRASOLOTTO, Alcione Ghedini. Discussão de caso: voz do homem. Anais.. Santos, SP: [s.n.], 2005.
    • APA

      Brasolotto, A. G. (2005). Discussão de caso: voz do homem. In Anais. Santos, SP.
    • NLM

      Brasolotto AG. Discussão de caso: voz do homem. Anais. 2005 ;
    • Vancouver

      Brasolotto AG. Discussão de caso: voz do homem. Anais. 2005 ;