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"Não premiáras, não castigarás, não ralharás...": dispositivos disciplinares em grupos escolares de Belo Horizonte (1925-1955) (2006)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: SOUZA, RITA DE CÁSSIA DE - FE
  • USP Schools: FE
  • Subjects: HISTORIA DA EDUCAÇÃO; DISCIPLINA (REGRA DE CONDUTA); DISCIPLINA NA SALA DE AULA; ESCOLA NOVA; LEGISLAÇÃO ESCOLAR
  • Language: Português
  • Abstract: Esta pesquisa problematiza alguns dispositivos disciplinares utilizados nos Grupos Escolares de Belo Horizonte num período em que a cidade foi denominada "capital pedagógica do Brasil". Os trinta anos do estudo envolvem algumas Reformas Educacionais baseadas no movimento escolanovista que surgiu em fins do século XIX na Inglaterra. Apesar da longa delimitação temporal, pode-se afirmar que, durante esse período, houve uma certa permanência nas iniciativas educacionais. Isso se justifica porque a Reforma realizada em 1927 foi considerada um marco na educação mineira e não se ousava alterá-la radicalmente ou criticar seus princípios. A pesquisa se encerra nos anos cinqüenta, quando foi assinado um contrato entre Brasil e Estados Unidos chamado P ABAEE - Programa de Assistência Brasileiro Americana ao Ensino Elementar - que teve em Belo Horizonte o centro-piloto de organização. Diversas fontes foram utilizadas para a pesquisa como jornais de circulação diária, jornais escolares,) duas revistas pedagógicas produzidas no período - Revista do Ensino e Educando - a legislação escolar mineira relativa ao ensino primário e normal, Boletins publicados pela Secretaria do Interior e, mais tarde, da Educação, além de entrevistas com professoras, ex-alunos e ex-alunas e consulta aos arquivos de onze Grupos Escolares de Belo Horizonte. Foram utilizadas, ainda, quatro obras memorialísticas publicadas por professoras primárias e duas biografias de professoras desseperíodo. Uma das características primordiais do movimento escolanovista era o repúdio ao uso das punições na escola, especialmente as mais drásticas e humilhantes, bem como a introdução de dispositivos que tinham por objetivo disciplinar, conformar, moldar e moralizar formando, desde os bancos escolares, cidadãos que se adaptassem à ordem social reinante sem revoltas e sem intentar transformá-la. A consulta a essas fontes teve por objetivo rastrear estes dispositivos e analisar de que forma os sujeitos ) escolares lidavam com as exigências de modernização de suas práticas educativas, especialmente no que se refere às punições e à disciplina escolar. A pesquisa divide-se em dois grandes eixos: no primeiro, estão os educadores e os educandos, suas experiências e lembranças, como eram representados e se representavam e, no segundo, a cultura escolar e alguns dispositivos disciplinares ali instaurados. Demarcar as percepções, as vivências, as tensões e os conflitos que permeavam esse momento de transição das prescrições em práticas de disciplinamento constitui o cerne da investigação desta pesquisa. Teriam os professores se submetido às mudanças pretendidas de forma tão simples e rápida como se esperava com a divulgação do modelo modernizador? Como reagiram professores e alunos diante das mudanças na concepção de escola, do papel do professor e, principalmente, diante das novas prescrições disciplinares que proibiam o uso dos castigos físicos e ) condenavam os queos utilizassem no ambiente escolar? De que forma os professores lidaram com as necessidades de adaptação a essas novas exigências pedagógicas? Tais questões permearam toda a pesquisa e permitiram compreender que o ideário escolanovista nem sempre foi tão moderna e neutra como apregoava. Há indícios de manutenção de princípios e preconceitos de classe, raça e gênero dissimulados pelo viés da cientificidade. Além disso, a transição da punição à disciplina se fazia de forma contraditória, confusa e, por vezes, não se realizava efetivamente. O brilhantismo da Reforma Francisco Campos, a qualidade sempre exaltada da escola pública neste período tendem a desconsiderar o sistemático processo de exclusão de alunos, considerados pobres, anormais, indisciplinados, pouco inteligentes que passavam pela escola sem usufruir seus benefícios, entre eles, o diploma escolar que a muitos era negado. A exclusão ou a sua ameaça eram formas de punição e disciplinarização, entre muitas outras existentes nas escolas. Foram submetidos a esse processo todos os personagens do universo escolar, de maneira mais ou menos intensa. Através da realização da pesquisa, das fontes consultadas, das páginas dos periódicos, dos documentos escolares, dos relatos de educadores e educandos daquele período puderam ser encontrados novos pontos de vista sobre a vida em Grupos Escolares de Belo Horizonte. Apesar disso, fica a certeza de que as apropriações do escolanovismo escondem, ainda, muitos enigmasque precisam ser decifrados para que se possa ter uma perspectiva mais heterogênea, multifacetada e plural do que foram as escolas primárias neste período
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 27.03.2006
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    BibliotecaCód. de barrasNúm. de chamada
    FE2050006992037(81) S729n
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    • ABNT

      SOUZA, Rita de Cássia; SOUZA, Maria Cecília Cortez Christiano de. "Não premiáras, não castigarás, não ralharás..": dispositivos disciplinares em grupos escolares de Belo Horizonte (1925-1955). 2006.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-06032008-112155/ >.
    • APA

      Souza, R. de C., & Souza, M. C. C. C. de. (2006). "Não premiáras, não castigarás, não ralharás..": dispositivos disciplinares em grupos escolares de Belo Horizonte (1925-1955). Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-06032008-112155/
    • NLM

      Souza R de C, Souza MCCC de. "Não premiáras, não castigarás, não ralharás..": dispositivos disciplinares em grupos escolares de Belo Horizonte (1925-1955) [Internet]. 2006 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-06032008-112155/
    • Vancouver

      Souza R de C, Souza MCCC de. "Não premiáras, não castigarás, não ralharás..": dispositivos disciplinares em grupos escolares de Belo Horizonte (1925-1955) [Internet]. 2006 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-06032008-112155/

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