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Análise da variabilidade ontogenética do veneno de Bothrops insularis (Amaral, 1921) (Serpentes, Viperidae): implicações adaptativs aos itens alimentares (2006)

  • Authors:
  • USP affiliated authors: PEREIRA, ANDRÉ ZELANIS PALITOT - IB
  • USP Schools: IB
  • Sigla do Departamento: BIF
  • Subjects: SERPENTES; VENENOS DE ORIGEM ANIMAL; ONTOGENIA
  • Language: Português
  • Abstract: Mudanças ontogenéticas na dieta e na composição do veneno são características freqüentemente observadas em espécies do gênero Bothrops. A serpente Bothrops insularis é endêmica da Ilha da Queimada Grande, litoral Sul de São Paulo, cuja separação do continente ocorreu há aproximadamente 11 000 anos, após a última glaciação ao final do Pleistoceno. Não existem mamíferos na ilha e esta espécie alimenta-se, na fase juvenil, de animais ectotérmicos (artrópodes e anfíbios) e de endotérmicos (aves migratórias) na fase adulta. A população apresenta anormalidades sexuais evidenciadas por machos, fêmeas e intersexos (fêmeas que apresentam hemipênis rudimentares, porém não funcionais). Três filhotes de B. insularis (1 macho e 2 intersexos) nascidos em cativeiro, de uma fêmea intersexo, foram mantidos no Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan, seus venenos extraídos (idades de 10, 15, 20, 24,33 e 41 meses) e liofilizados para utilização em ensaios subseqüentes. Utilizou-se também o veneno da mãe da ninhada e um pool de venenos de exemplares adultos. A análise eletroforética (SDS-PAGE 7,5- 17,5%) evidenciou similaridades entre as amostras de venenos nas diferentes fases de vida dos animais. A análise densitométrica revelou um aumento pronunciado da expressão de uma banda protéica na faixa de massa molecular de 24kDa. O teor protéico dos venenos variou de 618 a 1189 ?g de proteína por mg de veneno. Os resultados experimentais sugerem que fosfolipases A2 ehialuronidases não têm expressão pronunciada na fase adulta dos animais (41 meses). Os venenos foram capazes de hidrolisar as cadeias A? e B? do fibrinogênio e promover áreas de lise em placa de fibrina, independentemente da idade analisada. O progressivo aumento de intensidade da atividade hemorrágica e proteólise em zimografia sugere uma regulação da expressão de proteases, sobretudo de metaloproteases (uma característica importante, uma vez que esta ) espécie apresenta uma alteração ontogenética de dieta, alimentando-se de presas maiores quando os animais se tornam adultos). Por outro lado, a atividade proteolítica sobre a caseína não apresentou um aumento ontogenético significativo. Ensaios com inibidores de proteases, mostraram que EDTA e ortofenantrolina (10 mM) diminuíram expressivamente a atividade gelatinolítica em zimografia, reduziram a área de lise em placa de fibrina e inibiram a clivagem das cadeias A? e B??do fibrinogênio. Os venenos dos animais jovens (15 meses) mostraram-se mais ativos nos ensaios de coagulação sanguínea (Dose Mínima Coagulante sobre o Plasma e ativação dos fatores X e II da cascata de coagulação sanguínea) em relação ao dos adultos (41 meses). Observou-se uma maior toxicidade dos venenos para abelhas e aves, contudo não foi possível estabelecer diretamente uma relação ontogenética. Para mamíferos (camundongos) os venenos do Intersexo 1 e do Macho (41 meses) apresentaram menores valores de DL50 em relação aos demais. Amiotoxicidade das amostras dos venenos mostrou-se acentuada na fase inicial de vida dos animais (15 meses). Foram evidenciadas variações individuais ao longo das análises efetuadas neste trabalho, contudo a variabilidade ontogenética mostrou-se presente na maioria dos ensaios realizados. A seletividade do veneno para presas locais foi demonstrada pela eficácia do veneno para artrópodes e aves, em detrimento a mamíferos. Desta forma, conclui-se que o veneno possui peculiaridades na sua composição que favorecem a alimentação desta serpente em seu habitat insular e, embora haja uma marcante alteração de dieta durante a ontogênese desta espécie, a toxicidade do veneno para os itens alimentares locais é uma característica presente durante toda a vida dos animais
  • Imprenta:
  • Data da defesa: 14.08.2006
  • Acesso online ao documento

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    IB12000023263M-1253
    How to cite
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    • ABNT

      PEREIRA, André Zelanis Palitot; FURTADO, Mária de Fátima Domingues. Análise da variabilidade ontogenética do veneno de Bothrops insularis (Amaral, 1921) (Serpentes, Viperidae): implicações adaptativs aos itens alimentares. 2006.Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em: < http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-11102006-164454/ >.
    • APA

      Pereira, A. Z. P., & Furtado, M. de F. D. (2006). Análise da variabilidade ontogenética do veneno de Bothrops insularis (Amaral, 1921) (Serpentes, Viperidae): implicações adaptativs aos itens alimentares. Universidade de São Paulo, São Paulo. Recuperado de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-11102006-164454/
    • NLM

      Pereira AZP, Furtado M de FD. Análise da variabilidade ontogenética do veneno de Bothrops insularis (Amaral, 1921) (Serpentes, Viperidae): implicações adaptativs aos itens alimentares [Internet]. 2006 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-11102006-164454/
    • Vancouver

      Pereira AZP, Furtado M de FD. Análise da variabilidade ontogenética do veneno de Bothrops insularis (Amaral, 1921) (Serpentes, Viperidae): implicações adaptativs aos itens alimentares [Internet]. 2006 ;Available from: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41135/tde-11102006-164454/